Oi, meu nome é Suzana, eu tenho 29 anos e sou viciada em compras. Não é um jeito engraçadinho de dizer que eu não resisto à uma liquidação ou que adoro sapatos. Também não se trata de cometer um pecadito bancário aqui ou ali e entrar um pouquinho no vermelho. Estou falando de esgotar o limite do cheque especial, de estourar o cartão de crédito e fazer empréstimos para ter mais crédito e comprar mais coisas. Estou falando de suar frio, ter tremedeiras, chorar e não conseguir dormir quando não posso comprar. Estou falando de pensar em dinheiro – ou na falta dele – o tempo todo e de acordar no meio da noite para fazer contas.
Já passou o tempo em que eu achava isso engraçadinho, um traço da minha personalidade sapeca. Agora é uma coisa que me dá dor de cabeça, me tira o sono e me deixa com vergonha. Coisa de viciado mesmo.
Demorei coisa de cinco anos para admitir isso, que estava passando dos limites (literalmente) e que precisava me botar freios. Então eu passei a botar a culpa da bancarrota em coisas que eu TENHO que pagar, como aluguel e transporte, e me convenci que não estava gastando nada além do estritamente necessário. Ainda assim, nunca sobrava um tostão. Porque eu obviamente continuava gastando muito mais do que o necessário.
A lógica do meu organismo, só para vocês entenderem, é mais ou menos assim:
Eu passo um mês inteirinho bem comportada. Não gasto uma moeda em bobagem. Daí eu entro em uma loja para perguntar o preço de, sei lá, uma bala. No meio da caminho, peço para provar uma blusa. Ela fica linda. Custa R$ 150. Eu SEI que eu não tenho, eu SEI que não vale e eu SEI que vou me lascar dali três dias, quando não puder pagar o aluguel. Tudo isso fica gritando na minha cabeça.
Daí a boca seca, o coração dispara e parece que eu fui possuída. Uma outra voz começa a gritar por cima daquela: “E daí? Eu mereço! A vida não é só morar e comer. Minha vida está TÃO chata, eu NUNCA compro nada, isso vai ser um tremendo investimento, porque vai durar pra sempre e vai ser a minha última compra do ano e as coisas nem estão tão más assim e…” No momento seguinte, meu cartão já está com a vendedora, que pede pra eu digitar a senha. Eu digito tremendo, sem saber se vai passar. Várias vezes não passou, e depois eu até respirei aliviada, mas na hora foi a maior humilhação da minha vida.
Então, a verdade é que eu conseguiria perfeitamente pagar todas as minhas contas fixas e ainda me permitir vários cursos, luxinhos e presentinhos com meu salário. Mas eu me enfiei em uma quantidade tão assustadora de dívidas, que tudo que eu recebo vai para pagar juros e contas atrasadas.
Este blog é o meu primeiro passo rumo à recuperação: estou admitindo meu vício e assumindo a disposição para sair dele. Ele – e os leitores dele, se existirem – vão ser os meus “padrinhos”. Porque eu terei a obrigação de ser sincera aqui, tanto para contar minhas tentativas de sair da lama, quanto para assumir os escorregões. Sinceramente desejo que funcione e que eu encontre a via de saída da pindaíba.
Nos próximos capítulos: providências iniciais, avaliando o tamanho da dívida e o cartão de crédito, meu bem/meu mal.
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1, 2, 3… testando…
Excepcional, querida !
Tenho tantas histórias de pindaíba… Até carro já se foi pra “pagar” esse tipo de cagada… Acompanharei os próximos capítulos firmemente com você…
Força, irmã, força !
São as vozes na sua cabeça, Suzana. Não dê ouvidos a elas. kkkkkkkkkkk
Falando sério: gostei desse blog novo. Vou acompanhar sua recuperação.