Pindaíba

Há saída na cidade da pindaíba?

Credores Agosto 14, 2008

Arquivado em: Uncategorized — suza13 @ 6:11 pm
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Credores são a pior parte de ter dívidas. São eles que fazem você se sentir realmente mal, constrangida e a pior das criaturas. E nem dá pra falar nada, porque se eles estão te ligando, é porque você deu motivo.

Eu já tive vários tipos de credores. O melhor de todos é o eletrônico, quando botam uma gravação pra te ligar diariamente e lembrar que você é um caloteiro sem vergonha.

Eu tenho uma dívida com uma companhia áerea. Eu preciso explicar o caso dessa dívida antes que me interpretem errado. A empresa não me mandou as faturas por vários meses, porque elas estavam todas no site. Só que ninguém me avisou que eu tinha que ser uma pagadora pró-ativa e ir lá no site imprimir o diacho das faturas. Daí eu esqueci. Forévá. Daí a empresa ligou pra me avisar, mas a dívida já estava gigante. Agora, quase todo dia o robozinho me liga pedindo pra eu entrar em contato. A parte boa do robozinho é que você pode desligar na cara dele e tudo bem. Até que ele se irrite e me coloque no SPC, mas amanhã eu penso nisso.

Com gente, não dá. Só muito recentemente eu aprendi a agir feito adulto e FALAR com o credor, falar a real e negociar as dívidas. Até outro dia, ou eu fugia (já passei dois meses sem atender nenhum telefone), ou inventava coisas horríveis. Já disse que perdi pai, mãe, avó, já disse que fui transferida para o exterior, já disse que peguei uma doença. E a resposta deles era a mesma de quando eu falava a real – “mas quando e quanto você pode pagar?” Ou seja, eu podia ter me poupado de todo o ridículo da mentira. Ninguém quer saber POR QUE você não pagou. Eles só querem saber se você VAI pagar. Estão certos eles.

Mas o pior tipo de credor, me perdoem, é o credor pobre. Aquele amigo que te empresta R$ 10 para almoçar e já te cobra na janta. Ou aquele que te convence a fazer a compra no cartão de crédito dele pra acumular milhas e no dia 10, às 7h da manhã, está te ligando pra te lembrar de pagar a parcela. Ou que te cobra mesmo depois de você já ter pago. Me tira do sério!

Eu acho que quem deve, tem mais é que pagar mesmo. Que empresa de cobrança está aí pra isso e as mães das cobradoras não tem nada a ver com a dívida. Mas elegância, até o robozinho tem. É de graça e só faz bem.

 

Off topic, mas nem tanto Agosto 12, 2008

Arquivado em: Uncategorized — suza13 @ 8:03 pm
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Esse post vai parecer meio fora do propósito do blog, mas não é. Juro.

Eu adoro o seriado Medium, não perco um capítulo. Mais do que as adivinhações e crimes e suspense, o que me agrada é que Allison Dubois e sua família são gente como a gente. Ela está acima do peso, é desorganizada e já teve seu cartão bloqueado no supermercado.

As filhas, embora sejam todas paranormais, também são criancinhas bem comuns, que enchem o saco de vez em quando, mas são bem fofas na maior parte do tempo. Só o marido é que às vezes foge da realidade de tão perfeito que é. Ele cozinha, lava, passa e dá um trato gostoso na Allison quase toda noite. Joe Dubois é o homem dos sonhos de toda mulher (sem qualquer trocadilho infame com as habilidades psiquicas da loira).

No episódio dessa segunda, entretanto, Joe ganhou de vez meu coração. Porque ele está desempregado há algum tempo. Muito triste. Ainda assim, ele enlouqueceu e comprou um carro usado pra mulher. Allison não pirou nem nada, porque ela é muito cool. Apenas perguntou se aquele momento seria o ideal para uma compra dessas, já que, bom, eles estão na lama financeira.

Joe responde: “Olha, não era a hora, eu sei. Foi uma loucura mesmo. Mas a nossa vida está esse marasmo, faz tempo que eu não posso comprar nada pra família e isso não é vida. Amanhã eu corro atrás”. Ou seja: ele é o anti-exemplo financeiro, mas é um homem que me compreende por inteiro.

Amanhã eu corro atrás é o meu lema.

 

Botando a casa em ordem Agosto 11, 2008

Arquivado em: Uncategorized — suza13 @ 5:50 pm
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Ou: dando conta do caos

Eu sempre fui boa pagadora e é por isso, estou achando, que entrei nessa enrascada. Nunca, em toda a minha vida, atrasei uma fatura do cartão de crédito. Boto todas as contas que posso no débito automático. Pago o aluguel adiantado. Odeio ficar devendo.

Daí um dia, não tinha mais dinheiro. Porque atrasei o aluguel, e vieram 300 reais de multa. Porque botei o cartão no rotativo, e vieram mil reais de juros. Porque entrei no especial para pagar o condomímio e nunca mais saí. Quando dei por mim, nenhuma conta estava 100% paga e eu não tinha dinheiro pro busão. “Clonaram meu cartão”, foi o que pensei. Tirei extratos, conferi tudinho: eu mesma tinha gastado aquilo.

Bom, e agora José?

Depois de meses me amargurando e vendo os juros todos se acumularem, decidi fazer como a maioria e pedir arrego. Ligar pros credores todos e jogar a real: eu não tenho dinheiro.

Primeiro, foi o especial. Sou cliente de um banco ruim, mas tenho uma boa gerente, que me aconselhou a fazer um empréstimo pessoal e saldar logo a maldita. Não posso fazer um empréstimo pessoal, chorei, sou sozinha nesse mundo. Então ela disse que a melhor saída era pegar um empréstimo do banco mesmo. Amarelei, mas ela me mostrou que os juros seriam bem menores que o do especial. Topei. Prestações pelos próximos 18 meses.

Ok, o aluguel. Esse não tem jeito, o lance foi pagar mesmo a porcaria da multa e agora ficar esperta pra não perder mais o prazo. Fazer o que?

E daí vem ele, o cartão. Meu bem, meu mal. Eu sempre vi o cartão de crédito como uma invenção divina, a solução para todos os males, basta usar bem. E, juro, eu sempre usei direitinho. Até que parei de usar. Faltava daqui, faltava dali, joga no cartão e amanhã eu penso nisso. Primeiro mês, ops, vou entrar no rotativo só essa vez. Depois, ops, veio maior ainda, que coisa, rotativo de novo. Lá se foi um brasilhão de reais que eu nem sei onde, rotativando.

De novo, arrego. Oi, dona moça do cartão, que fatura é essa em três páginas, vocês estão loucos? Não consiiiiiiigo. Com toda calma do mundo, Priscila, do serviço de atendimento ao cliente Visa, me explicou que nessa vida só não tem jeito pra morte. Que tudo é parcelável e negociável. Só faltou me dar colo e um chazinho. Aceitei. Doze meses comprometidos em parcelas fixas, pelo menos.

Claro, nem tudo são flores. Só de juros, nessas brincadeiras todas, dá uma viagem à Paris. E ainda faltam os empréstimos pessoais. Mas é um passo, triste, ruim e amargo, mas obrigatório.

Hoje inicio minha planilha. Não sei se ela vai me confortar ou me enlouquecer ainda mais.

 

Meu bolso está furado? Agosto 7, 2008

Arquivado em: Uncategorized — suza13 @ 5:48 pm
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Oi, meu nome é Suzana, eu tenho 29 anos e sou viciada em compras. Não é um jeito engraçadinho de dizer que eu não resisto à uma liquidação ou que adoro sapatos. Também não se trata de cometer um pecadito bancário aqui ou ali e entrar um pouquinho no vermelho. Estou falando de esgotar o limite do cheque especial, de estourar o cartão de crédito e fazer empréstimos para ter mais crédito e comprar mais coisas. Estou falando de suar frio, ter tremedeiras, chorar e não conseguir dormir quando não posso comprar. Estou falando de pensar em dinheiro – ou na falta dele – o tempo todo e de acordar no meio da noite para fazer contas.

Já passou o tempo em que eu achava isso engraçadinho, um traço da minha personalidade sapeca. Agora é uma coisa que me dá dor de cabeça, me tira o sono e me deixa com vergonha. Coisa de viciado mesmo.

Demorei coisa de cinco anos para admitir isso, que estava passando dos limites (literalmente) e que precisava me botar freios. Então eu passei a botar a culpa da bancarrota em coisas que eu TENHO que pagar, como aluguel e transporte, e me convenci que não estava gastando nada além do estritamente necessário. Ainda assim, nunca sobrava um tostão. Porque eu obviamente continuava gastando muito mais do que o necessário.

A lógica do meu organismo, só para vocês entenderem, é mais ou menos assim:

Eu passo um mês inteirinho bem comportada. Não gasto uma moeda em bobagem. Daí eu entro em uma loja para perguntar o preço de, sei lá, uma bala. No meio da caminho, peço para provar uma blusa. Ela fica linda. Custa R$ 150. Eu SEI que eu não tenho, eu SEI que não vale e eu SEI que vou me lascar dali três dias, quando não puder pagar o aluguel. Tudo isso fica gritando na minha cabeça.

Daí a boca seca, o coração dispara e parece que eu fui possuída. Uma outra voz começa a gritar por cima daquela: “E daí? Eu mereço! A vida não é só morar e comer. Minha vida está TÃO chata, eu NUNCA compro nada, isso vai ser um tremendo investimento, porque vai durar pra sempre e vai ser a minha última compra do ano e as coisas nem estão tão más assim e…” No momento seguinte, meu cartão já está com a vendedora, que pede pra eu digitar a senha. Eu digito tremendo, sem saber se vai passar. Várias vezes não passou, e depois eu até respirei aliviada, mas na hora foi a maior humilhação da minha vida.

Então, a verdade é que eu conseguiria perfeitamente pagar todas as minhas contas fixas e ainda me permitir vários cursos, luxinhos e presentinhos com meu salário. Mas eu me enfiei em uma quantidade tão assustadora de dívidas, que tudo que eu recebo vai para pagar juros e contas atrasadas.

Este blog é o meu primeiro passo rumo à recuperação: estou admitindo meu vício e assumindo a disposição para sair dele. Ele – e os leitores dele, se existirem – vão ser os meus “padrinhos”. Porque eu terei a obrigação de ser sincera aqui, tanto para contar minhas tentativas de sair da lama, quanto para assumir os escorregões. Sinceramente desejo que funcione e que eu encontre a via de saída da pindaíba.

Nos próximos capítulos: providências iniciais, avaliando o tamanho da dívida e o cartão de crédito, meu bem/meu mal.